Conversão de Acordo com a Halachá

NARR 193-194

Tradução: Fábio Lacerda
Fevereiro de 2006

PERGUNTA: Durante algumas cerimônias de conversão, a frase “de acordo com a halachá” tem sido usada. O que isso significa para nós, judeus reformistas? (Leonard N. Fineberg, New York NY)

 

RESPOSTA: Vamos começar olhando para a tradição. Os textos tradicionais que lidam com o gerut indicam que o candidato à conversão deve ser instruído primeiramente em algumas das mitsvot principais e secundárias, e depois deve aceitar o judaísmo de acordo com a interpretação da tradição. Essa "interpretação", é claro, tem mudado com o passar dos tempos - em um período específico ela pode variar tanto nos assuntos mais importantes quanto nos menos importantes, como visto em discussões ortodoxas contemporâneas. Conseqüentemente, a expressão “de acordo com a halachá” tem alguma flexibilidade dentro dos círculos tradicionais. Amplamente, o termo indica uma aceitação da lei escrita e oral como sagrada e entregue por Deus no Monte Sinai. Entende-se que o termo permite alguma flexibilidade na interpretação.

Nossa visão da expressão "de acordo com a halachá" é um tanto diferente: para nós, reformistas, "de acordo com a halachá" significa “de acordo com a nossa tradição judaica reformista”. Nos últimos dois séculos, desenvolvemos um conjunto considerável de halachá reformista. Uma parte desse conjunto é na forma de livros de guia (S. B. Freehof Reform Jewish Practice; P. Knobel Gates of Mitzvah entre outros); outra através de declarações feitas em sínodos e conferências (W. G. Plaut The Rise of Reform Judaism; M. Meyer Response to Modernity), e outra ainda através de mais de mil artigos de responsa escritos por Solomon B. Freehof e por mim mesmo. Existe, então, uma tradição reformista que tem sido expressada em uma halachá que vem se expandindo.

O nosso ponto de vista de halachá é progressista; parte da Torá veio do Monte Sinai e parte dela continua a se desenvolver. Nós consideramos os princípios posteriomente articulados por profetas e sábios como também divinamente inspirados. A revelação continua, bem como nossa interpretação do passado. A interpretação tem adaptado o judaísmo a novos tempos e condições; essa é a “lei oral” que nós, judeus modernos, continuamos a adaptar e alterar. Nós vemos a tradição como uma sucessão e vemos nós mesmos não só como portadores da tradição, mas também como interpretadores e inovadores. Interpretações com novas decisões viraram a base da nossa halachá. Com o passar do tempo, essas interpretações se misturaram e criam uma halachá imperativa (Elliot Stevens (ed) Rabbinic Authority; W. Jacob e M. Zemer Dynamic Jewish Law).

Portanto, "De acordo com a halachá", na nossa tradição, significa “de acordo com a halachá reformista como declarada em vários documentos reformistas e fontes de halachá”.

Dezembro de 1990 (Walter Jacob)

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