Bar Mitsvá de um Convertido

CARR 237-238

Tradução: Fábio Lacerda
Fevereiro de 2006

PERGUNTA: Um rapaz, nascido de pai judeu e de mãe não-judia, que recebeu educação judaica ao passar dos anos, começou a sua preparação para Bar Mitsvá. Ele poderia ser um Bar Mitsvá sem um ritual formal de conversão na nossa congregação, que não aceita descendência patrilineal? (G. Sucov, Pittsburgh, PA)

 

RESPOSTA: De acordo com a tradição, os filhos de tal casamento misto seguem o status da mãe (M. Kid. 312; Maimonides, Yad Hil. Issurei Biah 15, 3 e 4). Portanto, essa criança, quando nascida, seria considerada um gentío. De acordo com a tradição, ele poderia, durante um certo ponto, ser convertido ao judaísmo. O processo é descrito por Maimonides (Yad Hil. Issurei Biah 14) e o, Shulhan Arukh (Yoreh Deah 268, especialmente 268.7, 8). Os elementos necessários são a circuncisão, o banho ritual (na época do Templo, também se oferecia um sacrifício) e, é claro, a disposição de observar todos os mandamentos. Tudo isso é baseado em uma discussão do Talmud (Yeb. 46). Tal conversão é feita na frente de um beit din composto por três membros (Yeb. 46b, 47a).

Essas fontes tradicionais são explícidas nos requisitos, mas uma discussão considerável sobre tais requisitos existe no Talmud. Por exemplo, R. Eliezer declarou que se o candidato à conversão era circuncidado ou teve o banho ritual, ele era considerado um prosélito. R. Joshua insistiu em ambos, e o seu ponto de vista foi adotado (Yeb. 46b), mas nós podemos também concordar com R. Eliezer. Além disso, também houve uma prévia controvérsia entre Hillel e Shamai, que discordavam sobre o candidato que já era circuncidado. Bet Shamai insistia que sangue deveria ser tirado do candidato (hatafat dam brit), enquanto Bet Hillel declarava que a sua circuncisão original poderia ser aceita sem ter que se extrair sangue (Shab. 135a). As autoridades rabínicas decidiram a favor de Bet Shamai (Shulhan Arukh Yoreh Deah 268.1; Yad Hil. Issurei Biah 14.5) . Todas as fontes concordam que a criança convertida dessa maneira poderia renunciar a sua conversão quando crescida e não seria considerada uma apóstata, mas simplesmente um gentio (Shulhan Arukh Yoreh Deah 278.7). Claramente, existiam diferenças de opinião sobre os passos necessários para o ritual de conversão nos tempos antigos. O Talmud também contém uma variedade de opiniões sobre o desejo de aceitar convertidos. Elas refletem competições históricas com o cristianismo, perseguições, etc. nos primeiros séculos da nossa era.

Os elementos do ritual enfatizado pela ortodoxia moderna foram levados a uma posição secundária pelo movimento reformista. A ênfase, ao invés, tem sido dada aos estudos intensos sobre o judaísmo, a aceitação das idéias judaicas e do seu modo de vida. Por essa razão, em 1892, a CCAR (Conferência Central de Rabinos Americanos), decidiu que qualquer rabino reformista, junto com duas testemunhas, poderia aceitar convertidos sem os ritos de iniciação tradicionais. A criança (se for um menino, presumivelmente circuncidado) seria aceita pela declaração dos pais de que têm a intenção de criar o filho como um judeu, com uma educação judaica, Bar Mitzvah e Confirmação ("Report on Mixed Marriage and Intermarriage," C.C.A.R. Yearbook, 1947). Esses têm continuado a ser os passos para muitas conversões reformistas de crianças.

Nós podemos ver de fontes tradicionais que existe uma base ampla para tolêrancia em assuntos de rituais, especialmente quando um casal têm feito todo o esforço para educar seus filhos como judeus e tem intenção de que eles vivam uma vida judaica. A nossa atitude pode ser refletida pela declaração na Midrash, "Sempre quando um convertido nos procura nós damos boas-vindas com uma mão aberta e procuramos trazê-lo em baixo das asas da shechinaá" (Lev. Rabbah 2.9). Portanto, nós devemos dar boas-vindas a esse jovem e aceitar o Bar Mitsvá dele como um passo a mais para ele virar um judeu adulto. O Bar/Bat Mitvá desse rapaz deve ser tratado como qualquer outro Bar/Bat Mitvá.

Outubro de 1977 (Walter Jacob)

Clique aqui para ver as abreviações.

ATENÇÃO: Copyright © 2006, Central Conference of American Rabbis – TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. Porém, sinta-se à vontade para copiar e repassar os artigos da nossa website, desde que gratuitamente e que conste o texto de direitos autorais abaixo. É vedada toda a reprodução com fins lucrativos e monetários, bem como a reprodução sem indicação da fonte.

Copyright © 2006, Central Conference of American Rabbis - translated to Portuguese by Fábio Lacerda of www.judaismoprogressista.org - edited by Adriana Lacerda - article by Walter Jacob and published with permission from the author.



Copyright © 2007Central Conference of American Rabbis
All Rights Reserved