CARR 242
Tradução: Fábio Lacerda
Março de 2006
PERGUNTA: Será que membros de uma congregação reformista devem apoiar uma congregação ortodoxa na mesma cidade, ou instituições ortodoxas em qualquer outro lugar, que não reconhecem o movimento reformista e não estão dispostos a aceitar o pluralismo da vida judaica? É regra dessas instituições de não se involver em qualquer atividade associada com congregações reformistas ou com o movimento reformista. Qual deve ser a nossa atitude em fornecer fundos para tal organizações? (Rabbi Morley T. Feinstein, South Bend IN, EUA)
RESPOSTA: Durante nossa longa história, nosso povo tem procurado constantemente a união, embora frequëntemente seja muito difícil alcançá-la. Uma amarga luta entre vários segmentos da comunidade judaica vem acontecendo em praticamente todos os séculos. As batalhas contra o chassidismo no século XVIII fizeram as forças de oposição pedir intervenção dos governos hostis da Polônia e Rússia (S. Dubnow History of the Jews in Russia and Poland; Geschichte Des Chassidismus) mas, eventualmente, o movimento chassídico foi reconhecido como parte do judaísmo e em geral um modus vivendi. Porém, violência ainda ocorre eventualmente entre grupos no Brooklyn ou Jerusalém. O século XIX viu o herem usado contra o movimento reformista na Alemanha e Hungária (David Philippson The Reform Movement in Judaism; Alexander Guttmann Struggle over Reform Judaism; Michael Meyer Jews of Modernity). Eventualmente o movimento reformista virou dominante na Alemanha e tornou-se bastante forte na Hungria, sendo então aceito. Também devemos nos lembrar da hostilidade contra o movimento sionista que foi longo e amargo. Um vestígio dessa hostilidade é a Neturei Karta que se recusa a reconhecer o estado judaico, embora seus membros vivam em uma parte de Jerusalém (A. Bein The History of Zionism; B. Halpern Zionism and Anti-Zionism in Orthodox Judaism). Assim sendo, deveríamos considerar a nova hostilidade ortodoxa no contexto da história e não devemos encorajar essa posição. Por quarenta anos desde a criação do estado de Israel, nós judeus reformistas juntamente com o movimento conservador, temos suportado abuso em Israel para evitar uma ruptura na união judaica. A união mundial, que existe desde a II Guerra Mundial, vem prevalecendo por um período mais longo do que todos os outros.
A ortodoxia militante em Israel, que está pleiteando alterar a Lei de Retorno com o suporte das instituições ortodoxas americanas, ameaça essa união nos Estados Unidos. Temos que lidar com essa nova conjutura e apoiar união e pluralismo. Nós e nossos membros não devemos apoiar instituições que não estão dispostas a reconhecer pluralismo ou a trabalhar pela união dentro da nossa comunidade. Devemos levar em conta que Mosheh Feinstein proibiu, há muito tempo, judeus ortodoxos a apoiar instituições reformistas (Igrot Mosheh Yoreh Deah #149) através das Federações Judaicas Unidas (United Jewish Federations), que por sua vez enfatizam união e pluralismo. A resolução das Federações Judaicas Unidas nesse assunto estressa união e pluralismo:
"Nós rejeitamos qualquer tentativa de dividir o nosso povo pela legislação do Estado de Israel que busca corrigir, diretamente ou indiretamente, a Lei de Retorno, que define quem é judeu.
Nós nos associamos com a maioria esmagadora dos judeus de Israel e da diáspora que fazem oposição a qualquer legislação do tipo.
Enquanto somente poucas pessoas estariam afetadas pessoalmente por essa ação política, milhões iriam sofrer uma profunda ferida simbólica vinda desse insulto à nossa tradição religiosa e senso de comunidade.
Qualquer iniciativa do tipo ameaça a nossa comunidade em uma hora que a união é essencial para o opoio de Israel, ainda assediada por inimigos externos, enfrentando uma inssurreição interna e recentes agressões de propaganda mundial."
Nós e eles prentendemos reconstituir pluralismo e união na comunidade judaica mundial. Não devemos apoiar instituições ou congregações que não estão dispostas a nos reconhecer ou reconhecer o nosso movimento. Devemos desencorajar qualquer pessoa a oferecer esse apoio e nós devemos insistir que as Federações e outras agências de doações conjuntas se recusem a dar tal apoio. Devemos distinguir entre instituições ortodoxas simpatizantes e não simpatizantes.Vamos continuar a trabalhar pela união da comunidade judaica e vamos fazer tudo que for possível para trazer a união. Instituições ortodoxas que atrapalharem o nosso esforço não deveriam ser recompensadas. Nós e nossos membros não deveríamos apoiá-los.
Dezembro de 1988
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Copyright © 2006, Central Conference of American Rabbis - translated to Portuguese by Fábio Lacerda of www.judaismoprogressista.org - edited by Adriana Lacerda - article by Walter Jacob and published with permission from the author.

