Conversão de Homossexuais

CARR 88-90

Tradução: Fábio Lacerda
Março de 2006

PERGUNTA: "Nossa comunidade tem um pequeno grupo de judeus gays que se juntaram para formar uma havurá (alguns deles são membros da minha congregação). A havurá se reúne regularmente e tem um serviço de Shabat mensal. Ocasionalmente, os membros da havurá vão nos serviços regulares da nossa sinagoga ou se juntam a nós para programas especiais. Temos tentado ser abertos o máximo possível. Recentemente, alguns não-judeus ficaram interessados na havurá. Muitos deles tem mostrado interesse na vida judaica, e uma pessoa específica veio falar comigo sobre a possibilidade de estudar com a intenção de se converter ao judaísmo." Considerando a forte antipatia do judaísmo com a homossexualidade, deveríamos aceitar um homossexual assumido e ativo que deseja se converter ao judaísmo? (Rabino R. Safran, Ft. Wayne, IN, EUA)

 

RESPOSTA: A atitude do judaísmo tradicional com a homossexualidade é clara. A proibição bíblica contra o homossexualismo é absoluta, como vista nos versos “não deitarás com um homem como se deita com uma mulher; é uma abominação” (Lev. 18.22); "se um homen deita com outro como se fosse uma mulher, ambos cometem uma abominação; serão punidos com a morte – são réus de morte” (Lev. 20.13). Outras declarações são igualmente claras. A discussão do Talmud sobre o assunto não faz nenhuma mudança substantiva e contínua à proibição. Ela trata com a questão de menores, coação e várias formas de atos homossexuais (San. 53a ff; Yeb. 83b; Ker. 2a ff; Ned. 51a, etc.). Nos códigos subseqüentes, o assunto é brevemente mencionado com as mesmas conclusões (Yad Hil. Issurei Biah 1.5, 22.2; Tur e Shulhan Arukh Even Haezer 24). Existe pouco material na literatura de responsa que trata do assunto de homossexualidade, porque ela não parece ter sido um grande problema. Os comentaristas das seções do Shulhan Arukh mencionadas acima sentiam que a suspeita de homossexualidade não poderia aparecer na época deles, e assim várias restrições preventivas eram supérfluas. Por exemplo, Moses Rifkes (Polônia - século XVII) fala que esse pecado não existia na época dele (Be'er Hagolá). Até o periodo moderno mais recente, não existiu uma discussão mais profunda sobre esse assunto.

A CCAR (Conferência Central de Rabinos Americanos) têm lidado com o assunto de homossexualidade por vários anos. Em 1977, a seguinte resolução foi adotada:

Sendo que a CCAR regularmente apoiou os direitos de liberdade dos cidadãos para todos, especialmente para aqueles que esses direitos e liberdades foram negados, e

Sendo que homossexuais que têm feito parte na nossa sociedade perduraram discriminação por muito tempo,

É portanto resolvido que encorajamos legislação que descriminaliza atos homossexuais entre dois adultos em consentimento e proíbe discriminação contra as suas pessoas, e

É também resolvido que as organizações judaicas reformistas religiosas empreendam programas em cooperação com o resto da comunidade judaica para implementar a postura acima.

Não vamos discutir a atitude judaica moderna a respeito de homossexuais que foi concretizada por dois fatores: (a) a atitude da tradição a respeito da homossexualidade, (b) nosso entendimento contemporâneo da homossexualidade, que vê homossexualidade como uma doença, uma disfunção genética ou uma preferência sexual e estilo de vida. Existe uma discussão se a homossexualidade representa um ato deliberado ou uma reação a alguma coisa que a pessoa é levada a fazer.

Se um homossexual vem a nós à procura da conversão, devemos explicar a ele a atitude do judaísmo tradicional e do movimento reformista de uma forma que seja bem clara. Depois disso, se ele continuar a mostrar interesse no judaísmo e deseja se converter então devemos aceitá-lo como quaquer outro candidato.

O assunto é um tanto complicado pelo fato que esse grupo de homossexuais se organizaram em uma havurá. Devemos nos perguntar se ela é simplesmente a propósito de companherismo ou se esse é um grupo que vai tentar atrair outros para um modo de vida homossexual. No último caso mencionado, certamente não poderíamos aceitar um candidato que está buscando influenciar outros naquela direção. Não sendo esse o caso, o homossexual que deseja se converter ao judaísmo deve ser aceito como quaquer outro candidato.

Junho de 1982

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Copyright © 2006, Central Conference of American Rabbis - translated to Portuguese by Fábio Lacerda of www.judaismoprogressista.org - edited by Adriana Lacerda - article by Walter Jacob and published with permission from the author.



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